terça-feira, 17 de maio de 2011

Antigos

Rio, 03/07/2007.

Não precisa de inspiração
A dor fala por si só
A alma explode
Faíscas de sangue
Pedaços de órgãos
Não sinto!
Apenas não sinto!
Vou até aonde eu conseguir
Não espero colo
Afago...isso então!!
Já sei parar
Já sei chorar
Minha voz está presa
Minha garganta entalada
Sou a bolha que caiu no mundo
Sou E.Tdesencantado
Sou o papel que limpa sua bunda!
Eu sei disso!
Este foi o piro poema que eu escrevera.

Antigos

Rio 03/07/2007.
Todos nós estamos preparados para a grande corrida.
Tem CDs para todo o lado.
Enquanto eu tiver palavras na minha mente, eu vou escrever mesmo que seja obsoleto, ou sem sentido. É tudo o que tenho palavras e palavras.
Ao longo da minha vida foi o que me restou. Palavras. Sempre contei com a alma, depois a alma começou a contar comigo.
Não sei quem vem primeiro, o ovo ou a galinha.

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Rio, 02/07/2007.

Simbolizado seja o amor
Flores para agradecer
Espíritos revitalizados
Sonhos despedaçados
Caminhos tortuosos
Parafusos desabrochados
A hora quebrou
A máquina pifou
O tempo parou
A estação está vazia
A luz se pagou
E agora?
Restaram os trilhos
As pedras
O maquinista está ali
Quem sabe o trem volte!

Antigos

Rio, 18/06/2007 – Terça – Feira.

São exatamente 22h00. O tic tac do relógio é algo que me assusta. Saber que só agora, aos vinte seis anos de idade aprendi a ver as horas, me causa constrangimento. Mas antes era pior, pois, nem as horas eu sabia ver. Tive tentativas frustradas aos onze anos de idade, tentar aprender, claro com a ajuda da Gisele, uma chata que casou com meu primo Waldir. Apesar da sua paciência, até exagerada eu não consegui aprender.
Nesta época eu estava morando no apartamento da minha avó, pois o barraco é até hilário, mas ele ia passar por uma reforma. O apartamento da minha avó era sombrio, mesmo assim tinha as suas vantagens, pois, lá não chovia, não tinha ratos, nem tão pouco aranhas, que tenho pavor.
Nunca mais vi uma aranha parecida com as que tinham no barraco que eu morava. Eram enormes, tinham seis patas cumpridas e carregava uma espécie de bolsa grande e branca. O pior que esta aranha horrorosa ficava no banheiro, que eu achava um nojo também, fedia.
Não ficamos, digo eu e minha família, neste apartamento por muito tempo, pois, meus tios começaram a brigarem pelo mesmo.
Nesta época, minha irmã Andréia, hoje com trinta e dois anos, tinha dezessete. Era perto do Natal, mesma época em que se separara do seu namorado, apelidado de Nem. Minha irmã não agüentou a dor da separação e jogou-se do terceiro andar de um prédio. Não quebrou muita coisa, mas acabou com seu mental e o natal de todos. Quando ela caiu fez um barulho de botijão de gás explodindo.

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Rio, 26/02/2007.

Estou bem! Sinto-me bem!
Hoje dei meu passo em direção ao futuro. Inscrevi-me no Pré-Vestibular.

Esta data realmente fora importante para mim. Comecei a perceber que tinha capacidade para chegar a qualquer lugar. Até a uma faculdade pública. Passei! Passei para UFF para cursar Letras - Literaturas. Uma felicidade completa para uma Borderline condenada não chegar a lugar algum.

Tristeza

Estou triste
Mas triste de não poder
De ter e não ter
De ser e não ser
De querer e não querer
A vida como um saber
Não sabemos nada
Nada que não queremos
O que tínhamos já não temos
E o improviso é quem nos guia
Seguir somente o que não precisamos
Ir somente porque queremos
E vamos embora para nunca mais voltar.
Sou assim...

Um pouco de mim

Minha vida, meu relato de imagens, cores e dissabores ocorridos em meu dia a dia. A impunidade como um marco social.


Quando fico muito calada é por que não sei se o que digo sou eu ou outra pessoa. Sinto muito em não poder revelar a minha personalidade, ela é suja demais, e causaria espanto e ojeriza a alguém da corte. As pessoas mortas e já inexistentes nesta terra. Terra do meu coração. Terra dos injustiçados. Aquele sonho, muitos cheiros, muita árvore, mato, tudo embolado, mas já estive lá, mesmo que em outra vida. Nem sempre os olhos que choram fazem parte de um lábio que sorri.
Ando com vontade de conhecer ao mundo. Desbravar o impossível com minhas asas de Piter Pan e voar, e quem sabe ficar por lá por uns anos, ou décadas. Aqui não ficará pedra sobre pedra, como diz meu amigo Paulista, ou melhor, César Paulista. Assim é melhor. Ele pratica o desapego, não se importa se mora em Palácio, ou em um casebre. O que me deixa feliz neste momento são meus utensílios domésticos. Eu e Paula acabamos de comprar uma máquina, um ar condicionado e uma geladeira, essa até já tínhamos, mas a necessidade de troca foi intensa. Mas continuando, estou quase chegando a meu objetivo, antes uma confissão, hoje uma realidade. Só mesmo o que sinto pela Paula, pois tenho mesmo vontade de morrer. Isso mesmo meus senhores cheios de razão. Quem sabe assim atestem o que sempre disseram, estou acreditado, estou aceitando, mas do que aceitando estou assumindo com minha postura morta e obsoleta. Não vou levar nada desta terra, deste lugar que não me pertence mais. Vou levar apenas a saudade de outrora que passou, ficou, mas não continuou. Assim é o verbo de ligação que a minha vida não teve nenhuma. Já tem tempo que penso em escrever, tempo em que penso em dissertar as minhas loucuras mais intrínsecas. Preciso de um pouco mais de vocabulário, de mais palavras, pois estas que eu tenho são poucas para a história de minha vida. Vida esta que nem sei se vale a pena alguma escrita. Uma lembrança, apenas uma lembrança, uma passada e uma recente. Quais das duas são mais difíceis de esquecer? No que se refere a dor, acho que a passada dói mais, é mais difícil de cicatrizar, pois hoje tem o passa já, aquele remédio de um minuto. Se todas as lembranças dolorosas fossem assim, o mundo não teria tanto suicídio, tanto crime passional e as crianças seriam felizes.

Uma vez me disseram que todas as crianças são princesas. Será que um dia fui princesa? Muita idiotice para uma mulher com seus trinta anos. Mas me sinto bem sabendo que posso ser princesa agora. Neste momento ouço Ana Carolina, e o nome da música é “Aqui”, adoro esta música. Sou uma represa pronta para jorrar, pronta para ir em busca do desconhecido.
Já não quero mais a luz, o glamour das noites, pois minhas noites tornaram-se medonhas e tristes.
Tomo remédios, deveriam ser muitos, mas burlo o médico e fumo maconha. Rio, pois a vontade que tenho é de chorar, derramar a lama que me encontro, não é a lama material e sim espiritual, de dor na alma.
Estou presa, com meus pés ardidos e fétidos de tanto andar por caminhos sujos. Meu corpo não corresponde a meus pensamentos, sugo o ar das pessoas para conseguir respirar.
Acabei me perdendo. Não me acho em lugar nenhum.
Transtorno de Personalidade Borderline, Transtorno Afetivo Bipolar, muito transtorno para uma pessoa só.

Dia Nublado,
Nublado em mim.
Vontades desejos e coisas sujas
Quando isso irá acabar?
Com a minha morte, com a minha vida.
Já não sei para aonde vão às flores e para
Onde deságuam os rios.
O rio passou por mim,
Mas não os sinto
Estou aqui,
Estou viva.

Quando a minha vida começou a ser imperfeita eu era um feto na sociedade. O feto cresceu um pouco, e já começou a ser enxergado pelos homens maus, as mulheres más e todos que tinham olhos.
Medo tinha muito medo da vida que se apresentou para mim. Toda aquela ausência distancia do que é família. Quer dizer tinha o modelo das novelas globais. Mas sempre uma estranha no ninho. Uma criança não desejada. Nasci na hora errada e na família errada. Meisho Sama diria que nasci na família certa e que preciso passar por esta purificação. Meishu Sama é o meu mestre espiritual que me guia em meus pensamentos e sentimentos. Mas quando estou afastada Dele, as coisas começam a ficar meio negras dentro de mim. Quando não sigo aos seus ensinamentos de ser mais altruísta, de pensar mais no ser humano... se doar, esta é a palavra, estou fugindo ao que é bom.
Mas não consigo fechar meus olhos à minha história. Não esqueço daquela dor de ter nascido, de ter sido dilacerada por pessoas sem coração.
Será que foram por este motivo que desenvolvi tantos transtornos, tantas personalidades. Quer dizer três: Alice Aires, Amy e Paulie.

Agora estou em casa pensando na vida.
Quem sabe ir para perto de ti.
Ir para o infinito,
Aquele que ninguém imagina que existe.
Se um dia me fores, não chore por minha partida.
Apenas sinta e sinta saudade, pois meu coração estará inundado.
Por isto existo ainda
Para só passar pela poeira não vista.

Não sei. Só sei que hoje é difícil viver e não querer morrer.  São três personalidades que me acompanham em meu dia a dia e que me fazem com que me comporte de acordo com que me determinam. Não tenho controle.
Sou controlada pelo bem e pelo mal todos os dias.

domingo, 1 de maio de 2011

Estou aqui! Sem sentidos, sem sentir. Uma voz fala que sou eu e outra que é você.
Uma dor, um gemido. Mas quero você. Pois você é tudo para mim.
Na verdade estou na merda.