Minha vida, meu relato de imagens, cores e dissabores ocorridos em meu dia a dia. A impunidade como um marco social.
Quando fico muito calada é por que não sei se o que digo sou eu ou outra pessoa. Sinto muito em não poder revelar a minha personalidade, ela é suja demais, e causaria espanto e ojeriza a alguém da corte. As pessoas mortas e já inexistentes nesta terra. Terra do meu coração. Terra dos injustiçados. Aquele sonho, muitos cheiros, muita árvore, mato, tudo embolado, mas já estive lá, mesmo que em outra vida. Nem sempre os olhos que choram fazem parte de um lábio que sorri.
Ando com vontade de conhecer ao mundo. Desbravar o impossível com minhas asas de Piter Pan e voar, e quem sabe ficar por lá por uns anos, ou décadas. Aqui não ficará pedra sobre pedra, como diz meu amigo Paulista, ou melhor, César Paulista. Assim é melhor. Ele pratica o desapego, não se importa se mora em Palácio, ou em um casebre. O que me deixa feliz neste momento são meus utensílios domésticos. Eu e Paula acabamos de comprar uma máquina, um ar condicionado e uma geladeira, essa até já tínhamos, mas a necessidade de troca foi intensa. Mas continuando, estou quase chegando a meu objetivo, antes uma confissão, hoje uma realidade. Só mesmo o que sinto pela Paula, pois tenho mesmo vontade de morrer. Isso mesmo meus senhores cheios de razão. Quem sabe assim atestem o que sempre disseram, estou acreditado, estou aceitando, mas do que aceitando estou assumindo com minha postura morta e obsoleta. Não vou levar nada desta terra, deste lugar que não me pertence mais. Vou levar apenas a saudade de outrora que passou, ficou, mas não continuou. Assim é o verbo de ligação que a minha vida não teve nenhuma. Já tem tempo que penso em escrever, tempo em que penso em dissertar as minhas loucuras mais intrínsecas. Preciso de um pouco mais de vocabulário, de mais palavras, pois estas que eu tenho são poucas para a história de minha vida. Vida esta que nem sei se vale a pena alguma escrita. Uma lembrança, apenas uma lembrança, uma passada e uma recente. Quais das duas são mais difíceis de esquecer? No que se refere a dor, acho que a passada dói mais, é mais difícil de cicatrizar, pois hoje tem o passa já, aquele remédio de um minuto. Se todas as lembranças dolorosas fossem assim, o mundo não teria tanto suicídio, tanto crime passional e as crianças seriam felizes.
Uma vez me disseram que todas as crianças são princesas. Será que um dia fui princesa? Muita idiotice para uma mulher com seus trinta anos. Mas me sinto bem sabendo que posso ser princesa agora. Neste momento ouço Ana Carolina, e o nome da música é “Aqui”, adoro esta música. Sou uma represa pronta para jorrar, pronta para ir em busca do desconhecido.
Já não quero mais a luz, o glamour das noites, pois minhas noites tornaram-se medonhas e tristes.
Tomo remédios, deveriam ser muitos, mas burlo o médico e fumo maconha. Rio, pois a vontade que tenho é de chorar, derramar a lama que me encontro, não é a lama material e sim espiritual, de dor na alma.
Estou presa, com meus pés ardidos e fétidos de tanto andar por caminhos sujos. Meu corpo não corresponde a meus pensamentos, sugo o ar das pessoas para conseguir respirar.
Acabei me perdendo. Não me acho em lugar nenhum.
Transtorno de Personalidade Borderline, Transtorno Afetivo Bipolar, muito transtorno para uma pessoa só.
Dia Nublado,
Nublado em mim.
Vontades desejos e coisas sujas
Quando isso irá acabar?
Com a minha morte, com a minha vida.
Já não sei para aonde vão às flores e para
Onde deságuam os rios.
O rio passou por mim,
Mas não os sinto
Estou aqui,
Estou viva.
Quando a minha vida começou a ser imperfeita eu era um feto na sociedade. O feto cresceu um pouco, e já começou a ser enxergado pelos homens maus, as mulheres más e todos que tinham olhos.
Medo tinha muito medo da vida que se apresentou para mim. Toda aquela ausência distancia do que é família. Quer dizer tinha o modelo das novelas globais. Mas sempre uma estranha no ninho. Uma criança não desejada. Nasci na hora errada e na família errada. Meisho Sama diria que nasci na família certa e que preciso passar por esta purificação. Meishu Sama é o meu mestre espiritual que me guia em meus pensamentos e sentimentos. Mas quando estou afastada Dele, as coisas começam a ficar meio negras dentro de mim. Quando não sigo aos seus ensinamentos de ser mais altruísta, de pensar mais no ser humano... se doar, esta é a palavra, estou fugindo ao que é bom.
Mas não consigo fechar meus olhos à minha história. Não esqueço daquela dor de ter nascido, de ter sido dilacerada por pessoas sem coração.
Será que foram por este motivo que desenvolvi tantos transtornos, tantas personalidades. Quer dizer três: Alice Aires, Amy e Paulie.
Agora estou em casa pensando na vida.
Quem sabe ir para perto de ti.
Ir para o infinito,
Aquele que ninguém imagina que existe.
Se um dia me fores, não chore por minha partida.
Apenas sinta e sinta saudade, pois meu coração estará inundado.
Por isto existo ainda
Para só passar pela poeira não vista.
Não sei. Só sei que hoje é difícil viver e não querer morrer. São três personalidades que me acompanham em meu dia a dia e que me fazem com que me comporte de acordo com que me determinam. Não tenho controle.
Sou controlada pelo bem e pelo mal todos os dias.