Rio, 18/06/2007 – Terça – Feira.
São exatamente 22h00. O tic tac do relógio é algo que me assusta. Saber que só agora, aos vinte seis anos de idade aprendi a ver as horas, me causa constrangimento. Mas antes era pior, pois, nem as horas eu sabia ver. Tive tentativas frustradas aos onze anos de idade, tentar aprender, claro com a ajuda da Gisele, uma chata que casou com meu primo Waldir. Apesar da sua paciência, até exagerada eu não consegui aprender.
Nesta época eu estava morando no apartamento da minha avó, pois o barraco é até hilário, mas ele ia passar por uma reforma. O apartamento da minha avó era sombrio, mesmo assim tinha as suas vantagens, pois, lá não chovia, não tinha ratos, nem tão pouco aranhas, que tenho pavor.
Nunca mais vi uma aranha parecida com as que tinham no barraco que eu morava. Eram enormes, tinham seis patas cumpridas e carregava uma espécie de bolsa grande e branca. O pior que esta aranha horrorosa ficava no banheiro, que eu achava um nojo também, fedia.
Não ficamos, digo eu e minha família, neste apartamento por muito tempo, pois, meus tios começaram a brigarem pelo mesmo.
Nesta época, minha irmã Andréia, hoje com trinta e dois anos, tinha dezessete. Era perto do Natal, mesma época em que se separara do seu namorado, apelidado de Nem. Minha irmã não agüentou a dor da separação e jogou-se do terceiro andar de um prédio. Não quebrou muita coisa, mas acabou com seu mental e o natal de todos. Quando ela caiu fez um barulho de botijão de gás explodindo.
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